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Bolsonaro critica sistema de informações e revela que tem sistema particular que funciona

Durante a reunião do dia 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro externou, por diversos momentos, sua insatisfação com o sistema de informações dos serviços de inteligência. Disse que somente o sistema particular dele de informação funciona, mas não entrou em detalhes; e falou sobre a sua preocupação que familiares e amigos sejam prejudicados. Bolsonaro critica sistema de informações e revela que tem sistema particular que funciona Os principais trechos da reunião estão no centro da denúncia do ex-ministro Sergio Moro, a de que o presidente tentou interferir politicamente nas investigações da Polícia Federal. No encontro com ministros, Jair Bolsonaro externou, por diversos momentos, sua insatisfação com as informações que recebe dos serviços de inteligência. Disse que elas o desinformam e que somente o sistema particular dele de informação funciona, sem explicar que sistema é esse. Bolsonaro ainda falou sobre a preocupação de que familiares e amigos dele sejam prejudicados. Na reunião, o presidente faz uma metáfora, como se o governo fosse um barco em que estivesse fazendo água. Pede aos ministros ajuda e diz que tem poder de interferir em todos os ministérios. “Então é um apelo que eu faço a todos, que se preocupem com política para não ser surpreendido. Eu não vou esperar o barco começar a afundar para tirar água. Estou tirando água e vou continuar tirando água de todos os ministérios no tocante a isso. A pessoa tem que entender. Se não quer entender, paciência. E eu tenho o poder e vou interferir em todos os ministérios, sem exceção. Nos bancos, eu falo com o Paulo Guedes, se tiver que interferir. Nunca tive problema com ele, zero problema com Paulo Guedes. Agora, os demais, vou”, disse Bolsonaro. Em seguida, o presidente reclama da falta de informações que julga que deveria receber. Este é um dos trechos cuja transcrição já havia sido divulgada pela AGU. Nele, Bolsonaro deixa clara sua insatisfação com os relatórios de informações que Polícia Federal, Forças Armadas e Abin fornecem à pPresidência. Bolsonaro fala: “Eu não posso ser surpreendido com notícias. Eu tenho a PF que não me dá informações. Eu tenho as inteligências das Forças Armadas que não tenho informações. Abin tem os seus problemas, tenho algumas informações. Só não tenho mais, porque está faltando, realmente. Temos problemas, aparelhamento etc. Mas a gente não pode viver sem informação. Quem é que nunca ficou atrás da porta ouvindo o que seu filho ou sua filha está comentando? Tem que ver para, depois que ela engravida, não adianta falar com ela mais. Tem que ver antes. Depois que o moleque encheu os cornos de droga, já não adianta mais falar com ele, já era. E informação é assim”, afirmou Bolsonaro. Bolsonaro fez comparações com os sistemas de informação estrangeiros e voltou a criticar o sistema de informações que o abastece - e a falar em interferir. “E me desculpe, o serviço de informações nosso, todos são uma vergonha, uma vergonha! Que eu não sou informado e não dá para trabalhar assim. Fica difícil. Por isso, vou interferir e ponto final. Não é ameaça, não é uma extrapolação da minha parte. É uma verdade. Como eu falei, dei os ministérios para os senhores. O poder de veto. Mudou agora. Tem que mudar”, disse Bolsonaro. Com a reunião mais avançada, Bolsonaro volta a reclamar de falta de informações ao dizer que apenas o seu serviço particular funciona. O presidente não explica que sistema particular é esse e, com um palavrão, lista familiares que não gostaria de ver prejudicados. Ao final, diz, também com um palavrão, que não vai esperar seus familiares e amigos se prejudicarem, que, antes disso, trocaria alguém da segurança na ponta da linha ou, se não conseguisse, trocaria o chefe ou o ministro. “Sistemas de informações: o meu funciona. O meu particular funciona. Os que tem oficialmente, desinforma. E voltando ao tema: prefiro não ter informação do que ser desinformado por sistema de informações que eu tenho. Então, pessoal, muitos vão poder sair do Brasil, mas não quero sair e ver a minha irmã de Eldorado, outra de Cajati, o coitado do meu irmão capitão do Exército de lá de Miracatu. Se foder, porra! Como é perseguido o tempo todo. Aí a bosta da Folha de São Paulo diz que meu irmão foi expulso de um açougue em Registro, que estava comprando carne sem máscara. Comprovou no papel, estava em São Paulo esse dia. O dono do restaurante, do açougue, falou que ele não estava lá. E fica por isso mesmo. Eu sei que é problema dele, mas é a putaria o tempo todo para me atingir, mexendo com a minha família. Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui. E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meus, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele. Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro e ponto final. Não estamos aqui para brincadeira”, disse Bolsonaro. A defesa do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, diz que esta fala de Bolsonaro confirma que o presidente tentava interferir na Polícia Federal. Em depoimento à PF, Moro disse que na reunião, o presidente afirmou que iria interferir em todos os ministérios e, quanto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, se não pudesse trocar o superintendente do Rio de Janeiro, trocaria o diretor-geral e o próprio ministro da Justiça. Para provar a tentativa de interferência política na PF, Moro mostrou uma conversa por aplicativo que teve com o presidente. Nela, Bolsonaro encaminha uma notícia para Moro sobre investigação de deputados bolsonaristas e diz "mais um motivo para a troca". Após a AGU entregar a transcrição ao STF, o Palácio do Planalto deu sua versão sobre este trecho: disse que o presidente estava se referindo à sua segurança. A segurança presidencial é realizada pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e que, nesta parte da reunião, em nenhum momento, o presidente da República menciona ou refere-se, direta ou indiretamente, a "superintendente", "diretor-geral" ou "Polícia Federal". O próprio presidente deu esta explicação em entrevista. “Falo do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro é meu estado”, disse Bolsonaro. Repórter: Em que contexto? Jair Bolsonaro: É onde tem um filho lá. Todos os meus filhos têm segurança do GSI, todos, sem exceção. Os ministros do governo que participaram da reunião reforçaram essa versão do presidente. Em depoimento à Polícia Federal, o chefe da Casa Civil, Braga Netto, afirmou que, “quando o presidente Jair Bolsonaro revelou sua intenção de trocar ‘a segurança no Rio de Janeiro’, entende que se tratava da segurança pessoal do presidente, a cargo do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), não tendo referência à Polícia Federal”. Já o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, disse que a declaração do presidente ocorreu “a título de exemplo. Se ele não estivesse satisfeito com sua segurança pessoal realizada no Rio de Janeiro, ele trocaria inicialmente o chefe da segurança e, não resolvendo, trocaria o ministro. E, nesse momento, olhou em direção ao ministro Heleno”. O vídeo mostra que Bolsonaro não olhou em direção ao ministro Heleno neste momento. No vídeo da reunião, além de demonstrar preocupação com família, Bolsonaro também fala em "amigos". Por lei, o Gabinete de Segurança Institucional tem por função fazer a segurança do presidente e de seus familiares, e não permite que amigos do presidente obtenham proteção do GSI. Portanto, se estivesse falando de segurança pessoal, não faria sentido Bolsonaro mencionar "amigo". São dois os argumentos centrais usados pelo presidente até agora: dizer que reclamou sobre sua segurança pessoal e não da Polícia Federal; e também que havia tentado fazer uma mudança nessa estrutura de segurança e não tinha conseguido. O problema da versão do governo é que fatos ocorridos antes e depois da reunião ministerial desmentem a história contada por Bolsonaro e seus ministros. O Jornal Nacional revelou, na sexta (15) passada, que, em fevereiro, o Gabinete de Segurança Institucional havia trocado o comando do escritório de representação do órgão justamente no Rio de Janeiro; e que, menos de um mês antes da reunião de 22 de abril, o diretor do departamento que cuida especificamente da segurança presidencial foi substituído pelo próprio presidente. O coronel André Laranja foi promovido a general de brigada e comandante do oitavo Batalhão de Infantaria Motorizada, e quem ficou no lugar foi o número dois do departamento, o coronel Gustavo Suárez. Em nota à TV Globo, o ministro do GSI, Augusto Heleno, afirmou que a menção a trocas na equipe de segurança havia sido apenas um exemplo hipotético do que o presidente faria caso não estivesse satisfeito com alguma área do governo. Mas, no vídeo da reunião, Bolsonaro afirmou que tentou e não conseguiu fazer esta troca, o que contraria a versão de que era apenas um exemplo. “Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui”, disse Bolsonaro. O ex-ministro Moro diz que os fatos acontecidos após a reunião comprovariam que Bolsonaro se referia à troca da superintendência da PF no Rio. Dois dias depois da reunião ministerial, o presidente demitiu o então diretor-geral da PF Maurício Valeixo, o que levou à saída do então ministro Sergio Moro. Com a troca no comando da PF, outra mudança desejada por Bolsonaro também se concretizou: a do comando da superintendência do Rio. Foi o primeiro ato do novo diretor-geral da PF, Rolando Alexandre de Sousa. O então superintendente no Rio de Janeiro, Carlos Henrique Oliveira, se tornou diretor-executivo da PF em Brasília. O presidente Bolsonaro afirmou em entrevista à rádio Jovem Pan que ao se referir ao serviço de informações particular dele, estava se referindo ao sargento do Batalhão do BOPE do Rio de Janeiro, ao capitão do grupo de artilharia lá de Fortaleza, ao policial civil que está em Manaus, ao amigo que está na reserva e traz informação da fronteira. Segundo Bolsonaro, este serviço de informação particular funciona melhor do que o que ele tem oficialmente que não lhe traz informação, mas não explicou como funciona.


Fonte: G1 > Rio de Janeiro
https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2020/05/22/bolsonaro-critica-sistema-de-informacoes-e-revela-que-tem-sistema-particular-que-funciona.ghtml


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