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'Pacto com o diabo', reclama Damares em reunião ao ouvir ministro do Turismo defender cassinos

'Damares está olhando com cara feia para mim', diz ministro Marcelo Álvaro Antônio ao defender resorts com cassinos. Ele diz a ministra dos Direitos Humanos que quer 'desmistificar' tema. Vídeo da reunião ministerial – parte 6 Na reunião ministerial do dia 22 de abril, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, defendeu um projeto de resorts com cassinos. A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, rebateu dizendo a ele: "Pacto com o diabo". Veja no vídeo acima, que tem as falas dos dois ministros. A conversa sobre cassinos começa em 8:52. Marcelo Álvaro Antônio diz que o tema "talvez seja muito polêmico", mas é "importante neste momento". "Aí eu falo também pra ministra Damares, que eu sei que é uma pauta muito sensível também a ela", diz o ministro do Turismo. Quando começa a defender o projeto, Marcelo Álvaro Antônio diz: "A Damares está olhando com cara feia para mim". Mas ele afirma querer "desmistificar" o tema com a bancada religiosa. "Não é legalização de jogos, não é bingo, não é caça-níquel, são resorts integrados", ele diz. "Tem que ser um projeto muito bem feito que eu acredito que pode ser e nesse processo da retomada, uma grande oportunidade pro Brasil atrair grandes complexos, dos quais apenas 3% são utilizados para os cassinos. E outra, isso não tem impacto diretamente nenhum na família dos trabalhadores brasileiros", defende Marcelo Álvaro Antônio. É logo depois dessa fala que Damares diz: "Pacto com o diabo!" Marcelo Álvaro Antônio ri e responde: "Não. Não é bem isso não, né? Vou ter que começar a desmistificar pra Damares aqui. Tô vendo isso." Em seguida, vários ministros começam a rir. O vice-presidente, Hamilton Mourão, fala em Damares "jogar roleta" e ela diz: "Separa, separa". No final, o ministro da Casa Civil, Braga Netto, diz que uma conversa posterior vai ser marcada sobre o assunto. A reunião Nesta sexta-feira (22), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello derrubou o sigilo do vídeo da reunião. A gravação foi parar no Supremo depois que o ex-ministro da Justiça Sergio Moro indicou que seu conteúdo comprovaria as acusações dele de que Bolsonaro estava tentando interferir politicamente na Polícia Federal. Inquérito investiga Bolsonaro No final de abril, Celso de Mello autorizou a abertura de inquérito para apurar as denúncias de Moro, atendendo a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Relator do inquérito, no começo de maio o ministro ordenou à Presidência da República que entregasse cópia do vídeo. Depois, autorizou a exibição dele numa sessão que reuniu agentes da Polícia Federal ligados ao inquérito, além de Moro e seus advogados e representantes da PGR. PGR defende que vídeo de reunião ministerial não seja divulgado completo Nesta época, começaram a surgir na imprensa reportagens sobre o conteúdo do vídeo, que tinham como base relato de pessoas que assistiram a ele. O próprio Bolsonaro admitiu que o conteúdo do vídeo era polêmico, e defendeu a divulgação pelo Supremo apenas de trechos de suas falas diretamente relacionados ao foco do inquérito, ou seja, a sua suposta tentativa de interferir na PF. Bolsonaro usou palavrões e fez ameaças de demissão para trocar comando da PF no Rio, dizem fontes que viram vídeo de reunião De acordo com o presidente, durante a reunião foram discutidos temas sensíveis, relacionados por exemplo à política externa do governo e à segurança nacional. Para Bolsonaro, esses trechos não deveriam ser tornados. Ao Supremo, o procurador-geral da República, Augusto Aras, também defendeu a divulgação apenas dos trechos do vídeo relacionados ao inquérito. De acordo com Aras, “a divulgação integral do conteúdo o converteria, de instrumento técnico e legal de busca da reconstrução histórica de fatos, em arsenal de uso político, pré-eleitoral (2022), de instabilidade pública e de proliferação de querelas e de pretexto para investigações genéricas sobre pessoas, falas, opiniões e modos de expressão totalmente diversas do objeto das investigações." Já a defesa do ex-ministro Sérgio Moro afirmou que o material não continha menção a "nenhum tema sensível à segurança nacional" e, por isso, defendeu a divulgação do vídeo na íntegra. Contexto da reunião ministerial A reunião ministerial citada por Moro aconteceu em 22 de abril. Além do presidente Bolsonaro, estavam presentes o vice, Hamilton Mourão, Moro e outros ministros. Ao todo, 25 autoridades participaram do encontro. Conforme diálogos do encontro, transcritos pela Advocacia-Geral da União, Bolsonaro reclamou da falta de informações da Polícia Federal e afirmou que iria "interferir". A declaração, no entanto, não deixa claro como ele faria isso. A defesa de Moro pediu ao STF que divulgue a íntegra do material. Celso de Mello, então, pediu pareceres à AGU e à PGR. As respostas foram: Procuradoria Geral da República: defende a divulgação somente de falas do presidente. Quer que o recorte seja dos trechos que tratam da atuação da Polícia Federal, da "segurança", do Ministério da Justiça, da Agência Brasileira de Inteligência e da alegada falta de informações de inteligência das agências públicas. Advocacia Geral da União: defende a divulgação das falas de Bolsonaro, mas não das falas dos demais participantes de reunião. Cronologia 24 de abril, manhã: Sergio Moro se demite do cargo de Ministro da Justiça, e diz que Jair Bolsonaro interferiu na PF ao demitir o então diretor-geral do órgão, Maurício Valeixo, e insistir na troca do comando da PF no Rio de Janeiro. 24 de abril, tarde: Jair Bolsonaro faz pronunciamento cercado pela maioria de seus ministros e diz que Moro propôs aceitar demissão de diretor da PF se fosse indicado ministro do STF. O presidente nega interferência mas diz que pedia a Moro, e nunca obteve, um relatório diário das atividades da PF para poder tomar decisões de governo. 24 de abril, noite: Jornal Nacional revela parte das mensagens trocadas entre o ex-ministro e a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), em que ela tentava convencer Moro a permanecer no cargo. 24 de abril: Procurador-geral da República, Augusto Aras, solicita abertura de inquérito para apurar declarações de Moro. 27 de abril: Celso de Mello autoriza inquérito no STF para apurar declarações de Moro com acusações a Bolsonaro. 2 de maio: Ex-ministro Sergio Moro presta depoimento de mais de 8 horas na sede da PF em Curitiba. 6 de maio: Celso de Mello determina que vídeo seja entregue pelo governo em 72 horas. 6 de maio: AGU vai ao STF para tentar rever decisão que mandou entregar vídeo de reunião citada por Moro. 9 de maio: PGR pede acesso à integra do vídeo de reunião entre Bolsonaro e Moro. 14 de maio: Divulgada a íntegra da troca de mensagens entre Moro e Zambelli; deputada diz a Moro que Bolsonaro 'vai cair se o sr. sair'. 14 de maio: AGU pede ao STF que libere somente as falas do presidente Jair Bolsonaro; defesa de Moro alega que a petição omite trechos relevantes para a compreensão correta da fala do presidente, e reforça pedido para publicar vídeo na íntegra. 15 de maio: Jair Bolsonaro admite, pela primeira vez, que citou a PF no vídeo da reunião ministerial e confirmou que a transcrição da Advocacia-Geral da União está correta. 19 de maio: Celso de Mello assiste à íntegra do vídeo da reunião ministerial. 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Fonte: G1 > Rio de Janeiro
https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/05/22/pacto-com-o-diabo-reclama-damares-em-reuniao-ao-ouvir-ministro-do-turismo-defender-cassinos.ghtml


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